sexta-feira, 18 de junho de 2010

Memória descritiva - conclusões sobre o trabalho

  • Alberto Caeiro

Na composição criada sobre Alberto Caeiro, trabalhada no programa Adobe FreeHand, procuramos explorar ao máximo as características aferidas anteriormente na pesquisa que fizemos. Daí nasceu a ideia de criarmos algo que abordasse o carácter deambulatório, de poeta bucólico e de pouca instrução. Assim, optamos por utilizar estilos de letra infantis, que fizessem lembrar a escrita primária, a primeira instrução ao nível da letra. Depois surgiu a ideia de criar uma imagem de harmonia através da tentativa de construção de um cenário natural, com árvores e erva construída com letras. A linha de texto em tamanho de letra pequeno pretende dar a ideia do vento que deambula levemente pelo ar. No fundo, o texto primário em cinza, pretende dar a ideia do guardador de rebanhos, em que os ideais estão sempre presentes em qualquer cenário.

  • Álvaro de Campos

Em Álvaro de Campos, tiramos partido do carácter dualizado, bipartido numa euforia incansável inicial para depois dar lugar à melancolia e ao tédio de viver. Por isso, no trabalho do Álvaro de Campos optamos por usar um tipo de letra “grosseiro”, sem serifas, para dar um ar de explosão em bruto, de carga pesada, de forte impacto. Como achamos que a grande característica de Álvaro de Campos assentaria na sua dupla personalidade, decidimos usar também uma dupla personalidade na nossa composição. A primeira linha de texto, que diz “EIA” está em grande plano, em maiores dimensões que a segunda, em letras pretas, grandes que traduzam o sentimento de uma intenção eufórica indestronável. Por outro lado, a segunda linha, que diz “RRRRRRRRRR ETERNO” pretende, por contraposição, dar um efeito de queda. Primeiro, porque está ao contrário, como se fosse o oposto daquela euforia, como se fosse o tédio total, a abolia total para a vida, porque é de menores dimensões relativamente ao de cima e finalmente, porque as letras são mais finas, com menos preto, que dá um ar de maior fragilidade.


  • Ricardo Reis

Na composição do Ricardo Reis a principal ideia a transmitir é de leveza, de apatia, de espontaneidade e fluência. Decidimos por isso criar linhas de percurso na composição que tentassem transmitir a ideia de rio, de água a fluir, de corrente. Concretizada a ideia, a questão foi o tipo de letra a utilizar. A nossa escolha recaiu em dois tipos de letras diferentes. Primeiro, um tipo de letra primário, parecido com o utilizado em Alberto Caeiro, pela visão que chegava a ser infantil que Ricardo Reis tinha da vida. A calma, a apatia, o desengano em relação à entrega aos sentimentos são concepções algo básicas para um homem adulto. Depois, um tipo de letra que se associasse à formação clássico-latina de Ricardo Reis, um médico, uma letra de aspecto manual mas com requintes de classe. A frase “Sofro, Lídia de medo do destino” surge como um denotador de uma filosofia recorrente nos poemas de Ricardo Reis, o recurso à tal mulher, a Lídia, marcado pelo inevitável medo do destino, presente em toda a sua filosofia de escrita. A frase surge em destaque sob os outros aspectos, em duplicado, assumindo um carácter forte e intenso. Uma das frases está a preto e outra a cinza. O cinza é como se fosse o medo sempre presente no íntimo do poeta que concretiza depois esse medo em palavras (a negro). A cor azul surge em algumas palavras pela inequívoca relação que o poeta estabelece com o mar, o rio, o fim, onde tudo vai acabar. Por fim, temos as palavras-chave da poesia de Ricardo Reis, que decidimos salientar em diferentes tamanhos, cores e tipos de letra ao longo da composição.

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